Rísia Uzai

quinta-feira, 27 de junho de 2013

Suicídio ou homicídio.

No jantar anual da Associação Americana de Ciência Forense de 1994, o presidente da associação, Don Harper Mills, deixou a audiência de San Diego estupefata com as complicações de uma bizarra morte.
Em 23 de março de 1994, o legista examinou o corpo de Ronald Opus e concluiu que sua morte foi causada por um ferimento a bala na cabeça.
A vítima havia saltado do vigésimo andar de um edifício, tentando cometer suicídio (ele havia deixado um bilhete relatando essa intenção). Enquanto caía, passando pela janela do 9º andar, sua vida foi interrompida por um tiro que saiu pela janela, o qual o matou instantaneamente. Contudo, nem o atirador nem a vítima tinham percebido que uma rede de proteção havia sido colocada na altura do 8º andar para proteger alguns lavadores de fachada. Justamente por causa desta rede, Opus não conseguiria completar seu suicídio.
Normalmente, uma pessoa que decide cometer suicídio deve ser considerada suicida, mesmo que o mecanismo da morte não seja exatamente aquele que ela imaginou.
O fato de Opus ter sido atingido por um tiro a caminho de sua morte certa nove andares abaixo provavelmente não teria mudado sua morte de suicídio para homicídio. Mas o fato de que sua tentativa de suicídio não teria sido bem sucedida fez com que o legista pensasse que estava com um caso de homicídio em suas mãos.
O quarto do 9º andar, de onde emanou o tiro, era ocupado por um casal de idosos. Durante um interrogatório, descobriu-se que, no momento do salto, o dono do apartamento estava ameaçando a esposa com a arma. Ele estava tão nervoso que, ao puxar o gatilho, errou a esposa e o tiro saiu pela janela, acertando Opus.
“Quando alguém tenciona matar a pessoa A mas mata a pessoa B durante a tentativa, é culpado pela morte da pessoa B”, concluiu o legista.
Quando confrontados com esta acusação, o senhor e sua esposa disseram que ninguém sabia que a arma estava carregada. O homem disse que era um antigo hábito dele ameaçar sua esposa com a arma descarregada.
Ele não tinha intenção de matá-la – portanto, o assassinato de Opus parecia ser um acidente. Isto é, a arma tinha sido carregada acidentalmente.
Com a continuação da investigação, surgiu uma testemunha que viu o filho do casal carregando a arma aproximadamente seis semanas antes do incidente. Ela revelou que a velha senhora havia cancelado a mesada mensal do filho e este, sabendo do hábito de seu pai (ameaçar a mãe com a arma descarregada), carregou a arma com a expectativa de que o pai atirasse em sua mãe. O caso agora parecia ser de assassinato de Ronald Opus pelo filho do casal.
Era uma extraordinária guinada no caso.
Investigações adicionais revelaram que o filho (Ronald Opus) estava desapontado pelas falhas de suas tentativas de matar a própria mãe. Isto levou-o a resolver se suicidar, atirando-se do vigésimo andar do prédio em que residiam em 23 de março de 1994, justamente para ser morto quando passava pela janela do 9º andar, por um tiro disparado pela arma que ele mesmo carregara.
O legista recomendou o arquivamento do caso como suicídio.
Vi no falecido Página Legal.

sexta-feira, 21 de junho de 2013

MODELOS COMEM ALGODÃO PARA FICAREM MAGRAS.

Bria Murphy, uma das filhas do ator Eddie Murphy , conquistou o sonho de ser modelo, mas teve que superar sua timidez. Porém, ela revelou alguns segredos da indústria da moda. "Muitas meninas são viciadas em  drogas e anoréxicas. Há uma longa lista de coisas, principalmente dietas malucas, pois há muita pressão para você se apresentar perfeita", disse.
Bria é a garota-propaganda da Dark and Lovely, uma linha de produtos para o cabelo e quer ser uma angel da Victoria’s Secret . A filha do astro contou que muitas modelos fazem dietas mirabolantes para emagrecer.
“Existem dietas extremas. Ouvi dizer que algumas comem bolas de algodão embebidas em suco de laranja para poder engoli-las. Isso as fazem ter a sensação de que estão cheias e o algodão não faz mal algum. Simplesmente se dissolve e  faz você pensar que está cheia, mas você não está", disse Bria.
Vale lembrar que dietas desse tipo já foram denunciadas pela ex-editora da Vogue australiana, Kirstie Clements, em seu livro "O Fator Vogue". Na publicação ela conta histórias de bastidores do mundo da moda, como o fato de que algumas modelos comiam bolinhas de papel para conter a fome.

quarta-feira, 19 de junho de 2013

Estilistas Dolce e Gabbana são condenados à prisão por fraude fiscal.


Os estilistas Domenico Dolce e Stefano Gabbana foram condenados nesta quarta-feira (19) em primeira instância a 1 ano e 8 meses de prisão por uma fraude fiscal, informa a AFP, citando como fonte a imprensa local.
De acordo com a agência de notícias, os dois eram acusados de ter concedido o controle de marcas do grupo a empresas de fachada com sede em Luxemburgo. O propósito seria justamente não pagar impostos na Itália.
No final de maio, um promotor de Milão antecipou que a dupla podia ser condenada a 2,5 anos de prisão pelo crime, segundo a Reuters. Na ocasião, a agência informou que a acusação envolvia cifras de 1 bilhão de euros e que se tratava de "um dos poucos casos fiscais de alta notoriedade a ir a tribunal na Itália, onde o impostos sobre empresas está entre os mais altos do mundo".
A reportagem lembrava ainda que a cantora Madonna e a modelo Naomi Campbell estão entre as clientes de Dolce & Gabbana – eles teriam negado as acusações, na época. Já os promotores, por sua vez, alegavam que os estilistas venderam as marcas D&G e Dolce&Gabbana para uma empresa de fachada criada em 2004 sob o nome de Gado. "A Gado era 80% controlada pela D&G, que por sua vez pertencia 50% cada por Dolce e Gabbana", teria afirmado o promotor Gaetano Ruta.

terça-feira, 18 de junho de 2013

Por que o mel não se decompõe?

mel até apodrece, mas demora porque tem pouquíssima quantidade de água em sua composição. O tempo varia de acordo com a excelência no processo de fabricação: o mel ideal tem só 17% de água, o que impede a proliferação de leveduras e microorganismos que deterioram o composto.
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Quando a abelha retira néctar das flores para acumular alimento na colmeia, ela estende a língua para receber o vento do bater das asas de outras abelhas. Depois, ela continua batendo as asas próxima aos favos. Isso serve para que a água evapore ao máximo. Se a colmeia produzir mel com umidade superior a 17%, os apicultores costumam intervir, com um processo artificial, para garantir a qualidade final. Pelo sim, pelo não,a lei brasileira estabelece o prazo de dois anos para o consumo de todo mel comercializado no país.
Curiosidades:
- Em escavações egípcias, foram encontrados potes de mel ainda preservados com mais de 3 mil anos!
- Outro fator que aumenta a durabilidade do mel é sua alta taxa de açúcar - cerca de 90%.

http://mundoestranho.abril.com.br/materia/por-que-o-mel-nao-se-decompoe

segunda-feira, 17 de junho de 2013

O australiano que já salvou 2,2 milhões de vidas, graças ao seu sangue raro.

James Harrison, o australiano que já salvou 2,2 milhões de vidas, graças ao seu sangue raro.

O plasma sanguíneo de James Harrison é usado na criação de uma vacina aplicada em mães para evitar que seus bebês sofram da doença de Rhesus, também conhecida como doença hemolítica ou eritroblastose fetalem. Em mais de uma década, ele já fez mais de 984 doações de sangue.

A doença causa incompatibilidade entre o feto e a mãe e acontece quando o sangue da mãe é Rh- e, o do bebê é Rh+. Após uma primeira gravidez nestas condições ou após ter recebido uma transfusão contendo sangue Rh+, a mãe cria anticorpos que passam a atacar o sangue do bebê. Vacina Anti-D previne a formação de anticorpos contra eritrócitos Rh-positivos em pessoas Rh-negativas. O sangue de Harrison, de 74 anos, no entanto, é capaz de tratar essa condição mesmo depois do nascimento da criança, prevenindo a doença. Antes da vacina Anti-D, Rhesus era a causa de morte e de danos cerebrais de milhares de recém-nascidos na Austrália.

James ficou conhecido como "o homem com o braço de ouro". Em 2003, ele recebeu uma medalha do Guinness por, até àquela data, ter doado 480 litros de sangue. Ele salvou inclusive a vida do próprio neto.

O motivo que levou este senhor a tornar-se um recordista mundial na doação de sangue é fácil de entender. Com apenas 14 anos, ele foi submetido a uma operação cardíaca, tendo sobrevivido à custa de transfusões de 13 litros de sangue. Foram, aliás, essas transfusões a originar o aparecimento do anticorpo.

Seu sangue foi considerado tão especial que o australiano recebeu um seguro de vida no valor de um milhão de dólares australianos, o equivalente a R$ 1,8 milhão.

Texto de Diego Vieira
Administração Imagens Históricas

domingo, 16 de junho de 2013

Advogado atropela homem que levou o seu relógio.

Um suspeito foi atropelado por volta das 22h30 de quarta-feira (12) após ser acusado de roubar um relógio de um advogado na alameda Jaú, nos Jardins, zona oeste de São Paulo.
Segundo a polícia, a vítima estava parada em um semáforo com um Mercedes quando foi abordada por um criminoso, que estava com uma arma de brinquedo. Ao tentar fugir, o suspeito passou pela frente do carro do advogado, que acelerou e o atropelou.
Após atropelar o homem, o motorista perdeu o controle do carro e bateu em outros dois veículos que estavam estacionados na via. O suspeito ferido foi encaminhado para o Pronto Socorro do Hospital das Clínicas.
Não há informações sobre seu estado de saúde. O caso foi registrado no 78º DP (Jardins).

sábado, 15 de junho de 2013

Em São Paulo, vinagre dá cadeia.

Em São Paulo, vinagre dá cadeia

O repórter de CartaCapital Piero Locatelli narra sua prisão por "porte de vinagre", revela a violência contra detidas e lamenta que não-jornalistas não tiveram a mesma sorte e seguiram presos.
Eu comprei uma garrafa de plástico de 750ml de vinagre por menos de dois reais nesta quinta-feira 13. Fui a um mercado no caminho para a manifestação contra o reajuste das passagens, que iria cobrir para o site da revista.
Explico o porquê.
Acompanhei o primeiro protesto de perto na semana anterior. Na avenida Paulista, tive contato com bombas de gás lacrimogêneo. No dia seguinte, pela manhã, tinha a impressão de que havia passado um ralador em meu nariz e em meus olhos.
No segundo protesto, na última sexta-feira 7, manifestantes que seguiam pacificamente foram recebidos com mais bombas na zona oeste da cidade. No meio do ato, uma pessoa só com os olhos de fora espirrou vinagre na minha camiseta, dizendo para eu respirar e me cuidar.
Foi quando descobri que o vinagre atenua os efeitos do gás lacrimogêneo. O exemplo da manifestante desconhecida me fez ser mais precavido desta vez. Nesta quinta-feira, desembarquei do ônibus em frente ao metrô Anhangabaú. Ao chegar, vi dois estudantes sendo presos. Perguntei ao policial o que eles portavam. Ele falou em “artefatos”, sem especificar. Os presos responderam que era vinagre.
Eu não sabia que o mesmo iria acontecer comigo logo em seguida. No viaduto do Chá, a caminho da Praça do Patriarca, para onde os estudantes haviam sido levados, me deparei com jovens sendo revistados. Liguei a câmera do celular para filmá-los, quando gravei o seguinte diálogo:
SD PM Leandro Silva: Tira a sua [mochila] também.
Piero: Eu sou jornalista, amigo. Você quer a minha identificação?
SD PM Leandro Silva: Não, não. Não precisa não.
Piero: Tem vinagre aqui dentro. Tem algum problema?
SD PM Leandro Silva: Tem. Vinagre tem.
Piero: Por quê?
SD PM Leandro Silva: Pode ir lá [ser revistado]
Em seguida, minha mochila foi aberta enquanto eu continuava filmando (como é possível ver no vídeo) e pedia para pessoas próximas fazerem o mesmo. Questionei algumas vezes qual lei, norma ou portaria proibiria o porte de vinagre, mas não obtive resposta.
No caminho, tive a oportunidade de ligar para uma amiga, também jornalista, que estava indo ao ato. Disse a ela que estava sendo levado à praça do Patriarca.
Em seguida, continuei gravando. Foi este meu último diálogo com os policiais antes de ser colocado contra a parede de uma loja fechada na praça:
SD PM Pondé: Tá gravando aí, irmão?
Piero: Tô. Sou jornalista, amigo.
Cap. PM. Toledo: Vinagre... Pode ficar ali com a mão para trás.
Piero: Como é que é? Eu estou sendo preso? É isso?
Cap. PM. Toledo: Pega e fica ali com a mão pra trás! Coloca a mão pra trás aí! Mão pra trás! Mão pra trás e pega a sua bolsa! Mão pra trás!
Fiquei com a cara colada contra a parede. Enquanto isso, meu gravador permaneceu ligado em meu bolso. Este é um dos diálogos captados:
Policial homem não identificado pela reportagem: Encosta na parede! (2x) Mão pra trás! Coloca a mão pra trás! Mão pra trás!
Mulher: Para de me agredir. (2x) Você é homem.
Policial homem não identificado pela reportagem: Cala a boca! (3x)
Mulher: Para de me agredir. Eu não fiz nada (3x)
Policial homem não identificado pela reportagem: Quer uma policial feminina pra te agredir? Tá com spray!
Mulher: Eu não tô com spray! (2x)
Homem (policial?): Cala a sua boca! (3x)
Na sequência, a mesma mulher detida fala baixo com uma colega:
Mulher detida 1: O que ele fez com você?
Mulher detida 2: Ele me bateu com o cassetete.
Mulher detida 1: Onde?
Mulher detida 2: Em tudo. Na minha barriga, nas minhas costas.
(....)
Mulher detida 2: Ele me bateu, ele me agrediu, eu não fiz nada. Eu tava respeitando ele (2x). Ele tem que me respeitar. Eu sou uma cidadã.
Mulher detida 1: Calma. Calma. Calma. Ele não vai te respeitar porque ele tá passando dos limites. Isso é abuso de poder. Calma.
Logo após ter sido colocado contra a parede, estive ao lado de um fotógrafo, conhecido de outras pautas. Ele percebeu os flashes na parede em que nos escorávamos, disse que havia fotógrafos atrás de nós.
Eu tentei virar para ver se havia conhecidos. Não via ninguém e era recebido com gritos de policiais que me mandavam olhar para frente novamente e “não arranjar problema”.
Na terceira vez que virei, vi ao longe outro colega. Gritei o nome dele e fui colocado novamente contra a parede. Esses jornalistas se comunicaram novamente comigo por duas vezes. Na primeira, gritaram para eu virar e tirar uma foto. Na segunda, que haviam conseguido um advogado para mim.
Fui jogado em um ônibus da Polícia. Tentei perguntar por que eu havia sido preso e para onde eu estava sendo levado. Mais uma vez, não obtive resposta.
Dentro do veículo, policiais diziam que, caso houvesse pedras, era para seguir dirigindo. As ruas eram abertas por batedores, algumas motos que seguiam à frente.
Ao meu lado estava uma menina, pré-vestibulanda, que me perguntou cochichando porque estavam tirando fotos de mim no ônibus. Eu expliquei que era jornalista e aqueles eram amigos. Ela disse que “ao menos eu ia poder escrever sobre o que aconteceu, os outros não poderiam fazer o mesmo”. Falei que estávamos presos pelo mesmo motivo.
O ônibus da polícia seguiu por um caminho longo até o 78º DP, nos Jardins. Fomos colocados em fila para a revista. Pedi para colocar a blusa e um policial negou, dizendo que dali a pouco ia “ficar quente”.
Em seguida, finalmente explicaram porque estávamos ali. A delegada dizia que não estávamos presos, estávamos “sob averiguação”. Eu não sei a diferença. Tinham me levado para um departamento policial à força e não me diziam o motivo. Os meus documentos tinham sido retidos pela polícia.
Iriam fazer um Boletim de Ocorrência para todos os presentes. Segundo disseram os policiais, todos os outros (cerca de quarenta pessoas, nas minhas contas) haviam sido levados por conta do vinagre. A exceção era um que havia sido pego com entorpecentes.
Uma vez dentro da Polícia Civil, fui bem tratado. Vários policiais me perguntavam o que eu estava fazendo com um vinagre na mão. Eu tentava explicar e eles, incrédulos, não sabiam que o problema era justamente uma garrafa de vinagre. Cerca de duas horas após ser detido, fui liberado com a chegada de advogados. Deixaram que eu levasse o vinagre.
O fato de eu ser jornalista amenizou os problemas causados pela ação da polícia. A delegada chegou a me perguntar por que eu não havia me identificado como jornalista à Polícia Civil. A minha redação me disponibilizou um advogado e tentou contatar quem fosse possível. Meus amigos e outros colegas foram solícitos, mostrando o meu caso em redes sociais. A Abraji (Associação Brasileira de Jornalismo Investigativo) fez um comunicado falando da minha prisão, que foi reproduzido pelos maiores veículos do País.
Sou grato a todos eles por terem me ajudado. Só lamento que as histórias de todos os outros não tiveram a mesma conclusão. Ir e vir com garrafas de vinagre deveria ser um direito de todo cidadão.